Quem está inserido num ambiente corporativo já ouviu falar do famoso jargão da transformação digital. Para se compreender a complexidade desta transformação é necessário clarificar a sua definição, o impacto que tem na sociedade civil, os mitos que a rodeiam, os desafios que obrigam e as tendências que surgem dia após dia.
Para a definição da transformação digital estar completa é necessário voltar um pouco atrás no tempo e contextualizar que as empresas que foram criadas antes da internet sofrem de processos que hoje estão obsoletos e por isso precisam de grandes transformações nos seus modelos de negócios. No entanto, e como tudo não podia ser uma má notícia, estas organizações mais maduras podem evoluir para um registo mais digital. A transformação digital é, portanto, um processo pelo qual as organizações usam a tecnologia para melhorar o desempenho, processo e resultados, investindo numa alteração radical da sua estrutura onde a tecnologia assume um papel fulcral. O desafio reside na gestão de recursos humanos e financeiros que pode advir de um processo desta amplitude.
Estas alterações não afetam apenas as organizações, mas sim toda a sociedade civil. Este impacto é sinónimo de oportunidades para as instituições que agora podem operar num mercado à escala global. Através da otimização de processos os colaboradores podem ser mais autónomos, ganhar maior relevância dentro da sua instituição contribuindo para um crescimento sustentado a nível pessoal e corporativo. O volume de transações, a rapidez de informação e a passagem de um processo outrora analógico para um digital são os pilares que alicerçam a transformação digital. É importante realçar que os desafios são mais que muitos! Uma organização que não esteja preparada para receber esta evolução e que abrace sem reconhecer as consequências que podem advir desta transformação corre sérios riscos organizacionais.
Devido ao desconhecimento geral da população começa-se a criar mitos que circunscritam a transformação digital. Para clarificar os mais renitentes enumeraram-se aqueles que se consideram mais relevantes: a transformação digital não diz apenas respeito a organizações na área da tecnologia, qualquer entidade pode beneficiar desta nova abordagem; nem tudo é experiência do consumidor, é importante ter em conta as exigências dos utilizadores, mas ter sempre presente que o processo tem de integrar toda a linha da organização; costuma dizer-se que se pode começar por um projeto mais pequeno e ao longo do tempo torna-lo maior, no entanto, uma alteração de paradigma tão profunda como esta tem de ter o comprometimento de todas as partes envolvidas (go big or go home); não é o departamento de sistemas de informação que vai realizar o processo, é preciso ter em conta que é toda a estrutura da organização, os seus diretores e os seus operacionais que tem esta owernship; não se pode aguardar por uma fase mais propícia porque somos nós que determinamos o momento e não o mercado (apesar de existirem várias nuances que não controlamos e que temos de ter em conta) e por fim, não confundir um processo de transformação digital com pequenos vislumbres de iniciativas que advêm de estratégias digitais – campanhas, por exemplo.
Os próprios desafios que o processo encontra podem estar dispostos em vários domínios: no domínio do cliente temos a sua segmentação e as análises quantitativas das iniciativas; no domínio da experiência temos o user experience; no domínio da inovação temos dois níveis distintos, o primeiro o da disrupção face ao que já se faz no mercado, e num segundo a avaliação do que os concorrentes atuais já fazem e o último domínio diz respeito à própria proposta de valor que nos comprometemos a entregar.
Pode afirmar-se que a transformação digital advém da quarta era da revolução industrial, que segundo World Economic Forum, organização internacional fundada em 1971 comprometida com a melhoria do Mundo, é: “a fusion of our physical, digital and biological worlds”. Não é por isso estranho que proliferem novas tendências em redor desta transformação. É fundamental que as organizações coloquem no seu ADN novas formas de negócio. Esta tendências são por exemplo: o Big Data, a Internet of Things, a realidade aumentada e virtual, o machine learning, a inteligência artificial e a automação de marketing. Este artigo visa a transformação digital como um todo e como tal, a descrição detalhada de cada uma destas tendências ficará para um outro artigo.
Todas esta novas predisponências podem levar a práticas disruptivas que potenciem o brand awaress de cada organização. É importante refletir sobre a recetividade de cada marca e se faz sentido usar ou não estas tendências, se se enquadra na estratégia e se existem recursos, tanto internos como externos, suficientes para as acoplar.
O que se pode concluir com a transformação digital é que esta não vai abrandar e o seu ritmo de crescimento continuará a aumentar, alterando a dimensão corporativa para sempre. É importante a aposta na liderança, na mudança e na resiliência, visto ser um caminho contínuo, que como todos os outros, faz-se caminhando!