A globalização e a acentuada evolução da internet, principalmente na última década, manifestou-se, não só através da alteração do comportamento face ao consumo, mas também num contexto profissional. Os dispositivos, bem como as aplicações que deles fazem parte, são quase um novo membro anatómico imprescindível à nossa sobrevivência. Com estas ferramentas, cada vez mais robustas, céleres e eficientes, e as constantes mutações do consumidor e das suas preferências, não demorou a aparecer soluções que respondessem a este novo desafio.
No meio de toda esta inovação, surge o marketing digital com um propósito definido e uma vantagem competitiva que o mercado, sempre em transformação, exige. Esta constante transformação é ainda mais presente num ano como o de 2020, onde um dos maiores direitos fundamentais dos seres humanos foi retirada: a liberdade. Num ano tão atípico há que saber alinhar novas estratégias e planos que se espelhem no uso de ferramentas de marketing digital de forma eficaz e eficiente. São vários os exemplos onde este exercício foi bem executado. Destacam-se dois, caso EKoï, marca de equipamento de ciclismo francesa, que apontou os seus esforços de marketing para plataformas digitais, na forma de conteúdo e de treinos virtuais facultados por atletas profissionais. Um outro caso foi a MRV, imobiliária brasileira, que lançou a campanha #FiqueEmCasa para facilitar o processo de aquisição de imóveis através de plataformas digitais que transformam o processo para inteiramente online. O resultado traduziu-se num aumento de 28% de vendas.
É fulcral que se compreenda que soluções como as redes sociais, que permitem criar campanhas de remarketing, adquirir novos insights sobre possíveis mercados-alvo, interagir com a comunidade, transformar uma visita num possível consumidor, escalar o e-commerce ou até angariar novas leads para o seu negócio são vitais para as organizações. É imprescindível refletir sobre o poder do conteúdo, sobre aquilo que a marca produz para a sua comunidade, sobre a forma de atrair novos consumidores ou até mesmo surpreender os que já existem. É indispensável identificar que as marcas têm de estar presentes sempre que os consumidores pesquisam por ela, seja de forma orgânica, seja de forma paga, porque sempre que estes pesquisam, o estágio de compra está mais próximo da sua conversão. Por fim, é vital que as marcas ponderem a obrigação de medir todas as ações levadas a cabo para medir os seus outputs, para evitar desperdício, que o efeito COVID-19 obrigou a diminuir para níveis nunca antes vistos.
Um dos outros efeitos da pandemia é a aceleração que a transformação digital foi alvo, o que levou à criação de consumidores mais exigentes, mais dinâmicos e menos aversos à mudança, e é por isso, que o marketing digital tem de deixar de ser apenas uma questão de tendência, para ser uma questão de sobrevivência. Citando Charles Darwin, biólogo britânico, o fator mais importante da sobrevivência não é a inteligência, nem a força, mas sim a adaptabilidade.